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domingo, 26 de diciembre de 2010

Poesía en blog, XVIII: Paulo Melo Lopes


"La lírica de Melo es un post-it funcional de nuestra existencia por las lares de este mundo".
Ángel Brichs
Crítico literario


A espada não fere a parede nem o fogo fere a arma
Se te visse num dia
maldito, se te visse num dia
maldito, queimaria as pestanas com água-fogo e
contemplaria a tristeza das mãos desfeitas
pela espada que não fere a parede nem o
fogo fere a arma . Se num dia assim, maldito,
queimado a água-fogo, as minhas pestanas morressem e o
o sol de cima olhasse, passaria fúnebre o cortejo junto
à rua, nem a espada fere a parede nem o fogo fere a arma . Junto
à ponte, junto à água, água-fogo que queima mãos desfeitas,
passa lento comedido um dia maldito,
um maldito dia de espada ferida.






Cabeça – lado nenhum
A asa da borboleta
adormece o peito, embala a mão e
inicia a vida nos afectos da erudição
–a terra funda educou um animal feroz, pára o sangue e cola a língua.

Cabeça – lado nenhum:
eis o assunto.





Do que tenho por certo e do que não tenho por certo sobre a noite, o amor, o silêncio, a colher, a boca, a construção, o sol e a lua
Tenho por certo: 1. a noite não escurece
em par 2. o amor não
se vende em soluços 3. há silêncio
quando, e só quando, o vento ruge 4. por
uma colher de sopa morre o corpo.
Não tenho por certo: 1. a boca
abre ao entardecer 2. a construção
da igreja de Santo António demorou dois minutos
para além do previsto 3. o sol desenha-se assim * 4.
a lua é branda ao nascer.






Poema para o voo dos pássaros
A folha pariu-te no verso anverso contrário à luz
. Sai o resto do céu pela boca. Pela boca, meu amor
. Pela boca o anzol lança a contraluz o desgosto do saber
fundamental dos pássaros. [Não há ternura aqui. E nem
os pássaros voam breves como dantes.] Primeira sombra: a asa
inquina a água. Segunda sombra: a asa parte os ossos. Terceira
sombra: a asa violenta os dentes. Quarta sombra: a asa estilhaça o chão
. Pela sombra, meu amor. A folha pariu-te no verso
anverso contrário à luz. E sai este resto de céu pela boca. Pela
boca, meu amor. {Encerrar o poema





Longo é tão longo quanto curto e subverte as leis que julgamos existir nas palavras
Longo é tão longo quanto curto: eis uma ideia
contrária ao estado do que julgamos
ser a ordem natural das coisas, porque
caso longo se alongasse em relação a curto,
admitiríamos na ciência das palavras
leis semelhantes às que julgamos na natureza, e não
nos assaltaria a conjectura do motim das palavras.
Esta é a ideia primária: as palavras não são pele e
não correspondem a uma ínfima parcela da natureza: as
palavras florescem num mundo à parte,
não nascem como a carne no corpo,
nem se deixam governar pelas leis da racionalidade. [De igual modo,
a disposição destas palavras não forma um poema.]






Algunas notas acerca del autor...


Nacido en Coimbra (1973), Paulo Melo Lopes se licenció en Psicología, a lo que más tarde obtuvo un posgrado universitario en Consulta Psicológica y Psicoterapia. En la actualidad trabaja en el sector formativo, compaginando su labor como psicoterapeuta.
En los pequeños retoños poéticos que nos brindó su colaboración, podemos observar la huella aún presente de los novísimos, acopañanada por la cada vez más cotidiana fuente de inspiración que conllevan los signos hipertextuales que entraña la propia literatura (ya sean de ámbito numérico, o simplemente formales) y que comprimen el sentido lírico de un posexistencialismo tardío que aún debe mucho a los hermanos De Campos.
Su primer libro, O nome daqueles, fue publicado hace un mes.




Copyright:


Poemas (en portugués)
e imagen:
©Paulo Melo Lopes


Reseña:
©LITERATURA DEL MAÑANA


Publicado en este blog con el consentimiento del autor:


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