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lunes, 5 de abril de 2010

La poesía neosocial portuguesa de Bruno Sousa Villar

“Siempre he creído que el verdadero escritor no se hace, sino que se le reconoce”.
Ángel Brichs
escritor y crítico literario






Pese a que Bruno Sousa, el poeta que hoy y aquí tenemos el placer de presentarles, no se le distingue por ninguna obra literaria publicada todavía, es uno de aquellos autores -como raras veces suele suceder en la literatura de nuestros días- que brillan con luz propia.












Filosofía barata



O único avô que conheci, com quem convivi,
nasceu no dia vinte e quatro de Dezembro, véspera de natal.
Nesta noite celebraria noventa e cinco anos. Nesta noite
receberia presentes e cumprimentos.
O meu avô já morreu, numa cama de hospital
amarrado porque queria soltar-se, a expectoração
cumulada presa na garganta até deixar
de respirar.



Visitei-o um par de vezes; colocaram-no num quarto
em cuja cama ao lado morria um senhor de noventa e seis-
vítima de acidente vascular-cerebral.
Voltei ao hospital quando já só restava o meu avô em corpo
vestido de fato e gravata e base lustrando-lhe as faces.
O meu avô conseguiu o impossível: reunir quase toda a
minha família no mesmo lugar. Falei com primos e primas
e tios e tias de circunstâncias
Como vão as coisas? Preguntavam.
Vão bem. Respondia.
E tu ali quedo e mudo sem ninguém te perguntar nada,
sem te estenderem um cumprimento, como se fosses apenas
um corpo bem vestido e barbeado, o cabelo ralo
penteado com a risca ao lado como gostavas, como se fosses
um fantasma como se estivesses morto
Foi por ti que visitei pela primeira e até agora única vez
um cemitério o cemitério onde o teu corpo bem vestido
e barbeado, o cabelo ralo penteado com risca ao lado
como gostavas, foi levado a cremar pois nunca acreditaste
no encanto e no ludíbrio desse bem-falante
vendedor de banha da cobra a que chamam alma.
Desculpa, o gato sentou-se em cima do teclado exigindo
atenção; não é meu, pertence à minha namorada,
a namorada que tu não conheceste,
adorá-la-ias, é um sonho de mulher e
é disso que tenho medo- dos sonhos.
Como te dizia, foi por ti que conheci a morada
dos defuntos, que enfrentei o asfixiante medo
infundado que lhe tinha,
quando o teu corpo foi queimado, lembro-me como tivesse
sido hoje, que não havia cantares de pássaros nas redondezas,
não havia risos, só a estatuária solene e calada dos definitivos.
Parecia que naquela tarde o tempo tinha reduzido sua velocidade
estonteante, travado suavemente para testemunhar ver-nos a
ver-te cumprir o ditado das cinzas.
Tu que não davas uma boa metáfora memorialística
para um poema, pois sempre te esforçaste para não
ser alguém; que eras comunista militante do mau vinho
da timidez doentia e de um banho semanal - porque no teu
tempo era assim.
Tu que a única coisa que tinhas de revolucionário era o teu
rosto que alguém, a expensas de umas sobrancelhas farfalhudas,
confundia com o rosto do Álvaro Cunhal.
Tu que não foste um dos milhares de judeus salvos do Holocausto
por Aristides de Sousa Mendes, “ o Schindler português”.
Que não escreveste cartas de amor salvíficas enquanto combatias
na segunda das grandes guerras.
Que não empunhaste ao alto as flores de Abril .
nem davas uma fotografia bonita
na secção de óbitos do jornal.
Tu, avô materno, que não lias nem escrevias,
que discursavas engasgado pela falta de vocabulário,
que nenhuma mulher na rua repararia duas vezes,
que arrastavas pelas calçadas tua feira cabisbaixa mijada
calças abaixo, com os cordões desatados dos sapatos
cambaleantes, quase a tropeçar.



Que passaste pela filha da puta da vida
como um figurante temente não sei a quê
sobre o qual já desfilou a ficha técnica
da fita.
Naquele cemitério, no teu cemitério
ensinaste-me uma coisa muito simples, que anos ignorei
como filosofia barata.



Não temas os mortos.
Assombram-nos muito mais os vivos.
Que a terra te seja leve, meu neto, dependerá da chuva.










Sobre amantes sem dinheiro



Vem beber café comigo
Prometo não largar a tua mão
quando fugirmos sem pagarmos a conta.










Impromptu



Esta avara alegria, tão rara,
de as palavras nos estenderem
apenas uma mão, enquanto, atrás das costas,
guardam a outra, a mais rica, solidária,
exilada no lado menos errado do Verão.








Algunas notas sobre el autor...



Bruno Sousa Villar es natural de Lisboa (Portugal). Este poeta de treintaiún años, el cual escribe sobre las circunstancias de la vida, el mundo y las ideas, desde su visión particular e introspectiva, trasunta visos de esa poesía social tan común en los ochentas y noventas del siglo pasado.
Una lírica propia de un joven valor que nos trae una poética renovada mediante un lenguaje sencillo, sin recargamientos expresivos ni giros formales de dudosa utilidad en el mundo de hoy; lírica que tal vez lleve a recordarnos a un Biedma o a un Becerra y, por qué no, a un hilo argumental no menos olvidado como fue el neorrealismo italiano de Zavattini y Federico Fellini. Quizá por todo ello podríamos definir, e incluso catalogar con muchos nombres la poesía que nos ofrece Sousa, aunque de todos ellos podríamos bien asignarle dos títulos que la favorecen mucho más: neosocial y posexistencial. Dos términos, que, en cierto modo son efímeros y más bien circunstanciales para la misma poesía que escribe el luso, la cual podemos apreciar en su máximo esplendor en poemas como “Filosofía barata”, “Impromptu” o “Sobre amantes sem dinheiro”.





Copyright:




De los poemas, fuente para la biografía e imagen:

Bruno Sousa Villar©




Introducción y reseña:

LITERATURA DEL MAÑANA©




Publicado en este blog bajo el consentimiento del autor:

www.literaturadart.blogspot.com






1 comentario:

Valdecy Alves dijo...

Amigos poetas blogueiros, parabéns por utilizarem a internet como forma de dividir com o mundo o seu pensar, o seu compreender, desempenhando a missão do poeta que é se afirmar como ser humano, sobretudo perante si mesmo, captar os arquétipos coletivos de sua época e princípios universais, permitindo após compreender-se ou não compreender-se, que pela sua obra os da sua época tenham referência alternativa para fazer a leitura do mundo e as gerações posteriores entenderem a própria história da humanidade. Tudo temperado pelo sonho, pela sensibilidade e pela utopia. PASSOU A ÉPOCA DE ESCREVERMOS E GUARDAR NA GAVETA NOSSAS CRIAÇÕES DEPOIS DOS MAIS PRÓXIMOS FINGIREM TER LIDO PARA NOS AGRADAR. Através do meu blog quero aprensentar-lhes a video-poesia, que usa várias linguagens de uma só feita, a serviço do texto. Se gostar divulgue e compartilhe com os seus contatos. Acessar em:

www.valdecyalves.blogspot.com

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